VBAC – vaginal birth after cesarean ou parto normal após cesárea. Sério? É possível? Mas,
 porque uma mulher escolheria passar por isso? Porque uma mulher nadaria contra a maré, justamente nesse momento de fragilidade?

Elas questionaram, elas não se contentaram, elas despertaram, elas mudaram a própria história…

Vamos começar do começo…

Na primeira gestação a maioria das mulheres deseja o parto normal[1], mas, por infindáveis razões (que não vou entrar no mérito aqui), a maioria delas acaba fazendo cesariana. Nesse cenário, faz todo sentido, que o principal motivo que as leva a buscarem um parto após cesárea é vivenciar a experiência objeto de seu desejo.

Elas não viveram a experiência que desejavam no nascimento do primeiro filho, e independente de ter sido uma cesariana necessária ou não (como é o caso da maioria), ficou um vazio, o vazio daquilo que “foi roubado da primeira vez”[2].

Elas engravidaram de novo. Elas questionaram. Elas ouviram que “uma vez cesárea, sempre cesárea”. Elas não se contentaram.

Esses dias uma amiga me disse “para uma primigesta é difícil um parto normal, mas para uma VBAC é ainda mais”. E ela tem toda razão, porque existe uma ideia fixa, disseminada e completamente errada de que a mulher tem a chance de parir, mas se perder essa primeira chance da vida, já era, nunca mais! Ela estará para sempre fadada a não ter mais escolha.

Como assim? Como um outro ser humano se acha no direito de tirar a possibilidade de escolha de uma mulher e, mais que isso, tirar a oportunidade desse bebê que está por vir de ter uma experiência de nascimento em que ele próprio é considerado e é participante ativo?

Elas estudaram. Elas se informaram. Elas descobriram que estavam sendo enganadas. Elas desejaram de novo e acreditaram que era possível.

O parto normal é mais seguro para mãe e para o bebê, essa é a regra, o contrário disso é exceção! E não sou eu ou uma meia dúzia de pessoas que estão dizendo, é a natureza, o mundo, a ciência. O parto normal após cesariana tem riscos sim (proporcionais ao número de cesarianas anteriores), assim como a cesariana sobre cesariana também tem riscos.  E é por isso, que o nosso sistema obstétrico e nossa sociedade como um todo, seguindo o caminho de outros países como os EUA[3], deveria promover o parto natural e não medir esforços para evitar a primeira cesariana, porque da maneira como estamos fazendo, elas aumentam os riscos e não o contrário.

Outra situação, é das mulheres que escolheram uma cesárea por falta de informações verdadeiras e suficientes acerca dos benefícios do parto normal. Afinal, o parto, por si só, já não tem uma boa aceitação social. É normal que a gente acredite nas máximas “parto normal é perigoso” “a cesárea é mais segura para a mãe e o bebê”. Isso é o que a nossa sociedade no geral acredita. E nós somos seres sociais. Sem contar que não é fácil afrontar tudo e todos quando se está grávida.

Elas não sabiam. Elas não se sentiram preparadas. Elas mudaram. Elas se tornaram mães. Elas descobriram sua força. Elas despertaram para o novo. Elas desejaram parir. Elas se informaram.

E de novo, voltamos para o mesmo ponto: O CONHECIMENTO!

Seja para as que já queriam e não puderam viver, como para as que mudaram e passaram a desejar uma experiência diferente, a informação foi o que mudou tudo!

Assim, se você também está em busca do seu parto, o meu desejo para você é que se informe, busque alternativas, encontre os caminhos, converse com pessoas que estão ou já estiveram na mesma situação que você e, se não encontrar a trilha, abra-a você mesma! Seja a primeira, abra o caminho para as que virão depois de você!

O parto é muito mais do que uma via de nascimento, é uma experiência do feminino!

“Eu sempre quis por ser o mais natural possível. Pra não ter que me submeter a mais uma cirurgia, recuperação pós-parto, bebê nascer no tempo dele. E pelo aspecto emocional, eu precisava passar pelo parto normal, queria saber como era a dor, a sensação de trazer meu filho ao mundo. Os sentimentos, a intensidade do momento, sempre quis viver isso. Pensava que seria bom e tal, mas jamais imaginaria que seria transformador como foi.”[4]

“Eu sempre tive o desejo de sentir a dor de colocar um filho no mundo. Eu sempre quis senti-lo saindo de dentro de mim por si só, sem ninguém retirando ele daqui. Eu sempre quis que ele escolhesse a data de vir ao mundo. Nunca gostei da ideia de agendar o parto, marcar hora, entrar grávida no hospital e sair mãe. Eu queria que isso fosse espontâneo. Natural. Repentino e forte! Porque a maternidade é assim. Forte e intensa…pra mim o parto também deveria ser. Enfim…dessa vez eu consegui e me realizei. Me senti instrumento de Deus pra dar vida à vida que Ele me deu de presente! Me senti mulher. Forte. Guerreira e uma mãe leoa, capaz de tudo pela sua cria![5]

Obrigada a ELAS que através de suas palavras me permitiram entender o que leva uma mulher a desejar um VBAC!

[1] http://www6.ensp.fiocruz.br/nascerbrasil/

[2] Aletheia Schmidt Sartorelli

[3]http://www.acog.org/Resources_And_Publications/Obstetric_Care_Consensus_Series/Safe_Prevention_of_the_Primary_Cesarean_Delivery

[4] Aline Dechan

[5] Gabriela Ubeda

 


Autora do texto Jéssica Scipioni