Doulas sempre existiram! Desde o início dos tempos humanos, suspeita-se que as mulheres tiveram o apoio de outra mulher na hora de dar à luz. A parteiras também, em geral, possuíam uma ajudante que levavam consigo, de casa em casa, de parto em parto. Esta figura intermediária entre o trabalho de parideira da mulher e aquele de parteira da parteira é a doula.

A relação entre conhecimento e experiência, flexibilidade mental e discrição emocional forma a essência da função da doula. O espírito materno que a caracteriza se nutre da humilde disponibilidade em ajudar (maternar) outra mulher.

Ocorre que no século XIX iniciou-se o processo de institucionalização e medicalização da assistência ao parto, caracterizado pela incorporação da obstetrícia. Este processo acabou afastando os familiares da cena do parto, como era tradição há milênios. As parturientes, então, deixaram de ser acompanhadas por mulheres amigas e da família e passaram a ser atendidas por profissionais de saúde nos hospitais, onde permaneciam sozinhas durante um longo período do trabalho de parto. Foi-lhe tirada também a intimidade no momento do vínculo mãe-bebê e a presença do pai.

Na segunda metade do século XX, a institucionalização da cesárea como parto rápido, indolor e prático marcou o ápice deste contexto hospitalar em que a parturiente foi reduzida, cada vez mais, à passividade.

Como aquele círculo feminino não sumiu de repente, as comadres, vizinhas e amigas permaneceram presente na história da mulher levando carinho, atenção, uma canja, e com isso, o termo grego “doula” (que significa mulher cuidadora) se fazia ideal para designar esta mulher experiente, sem conotação médica, que valoriza a companhia feminina e apoiadora. Na prática, este é um nome novo para uma antiga função: “acompanhante experiente no parto que oferece à mulher e a seu companheiro seja suporte emocional seja físico durante todo o trabalho de parto e, até certo ponto, pós-parto.” Seu papel é segurar a mão da mulher, respirar com ela, sorrir para ela, prover encorajamento, tranquilidade e harmonia.

Durante o trabalho de parto, a doula utiliza métodos não farmacológicos para alívio da dor, como exercícios de respiração, relaxamento, movimentação e posicionamento diversos. Compreendendo a fisiologia do parto e as necessidades da mulher em trabalho de parto, a doula sabe como ajudá-la quando for necessário.

Importante: doula não faz diagnóstico, não avalia a pressão arterial, temperatura, batimentos cardio fetais, não avalia a dilatação, não toma decisões pela mulher em trabalho de parto e, também, não é porta-voz da mulher ou da sua família. Estes limites devem ser bem esclarecidos!

Na relação com a família, cabe a doula ter cuidado para não ocupar ou excluir o espaço do acompanhante. A doula deve buscar sempre a parceria com o acompanhante e os familiares presentes, atuando como promotora da paz e da harmonia, envolvendo, sempre que possível, a participação do acompanhante.

 

Tipos de Doulas

 

  • Doulas voluntárias: atuam voluntariamente no hospital ou casa de parto, ajudando a todas as mulheres que chegam durante o plantão. Não recebem remuneração monetária.
  • Doulas particulares: são contratadas pela mulher e a acompanham no local do nascimento. Atendem apenas uma mulher em trabalho de parto por vez.
  • Doulas hospitalares: são contratados pelo hospital para oferecer suporte a todos as pacientes que forem admitidas durante seu horário de trabalho.

 

Apesar das denominações serem diferentes, o papel é o mesmo, com a única diferença de que a doula particular é a única doula que conhecerá a mulher (com seus desejos e histórias) previamente. A doula voluntária ou hospitalar fará seu primeiro contato com a parturiente na hora do parto.

 

Resultados

 

Abaixo, uma relação dos efeitos da presença da doula no trabalho de parto, segundo pesquisas:

  • Menos pedidos de epidural (60%) e narcóticos (30%)
  • Redução de uso de pitocina
  • Redução da duração do trabalho de parto (25%)
  • Menos partos com fórceps
  • Redução do uso do vácuo extrator
  • Redução das taxas de cesárea (50%)
  • Redução da hospitalização neonatal e das complicações
  • Redução das chances de febre e infecção materna
  • Redução da hemorragia maternal pós-parto
  • Aumento das chances de um parto vaginal espontâneo

 

Do ponto de vista psicológico:

  • As mães reportam uma experiência de parto mais positiva
  • Redução dos níveis de ansiedade
  • As mães tem alta consideração e maior sensibilidade para com seus bebês
  • As mães se sentem mais seguras e têm mais auto-confiança
  • Redução na incidência de depressão pós-parto.

 

Existem atividades que lidam, mais do que outras, com experiências humanas. Há profissões que diretamente agem no sentido de melhorar a qualidade de vida de outra pessoa. Mede-se o sucesso de uma tal profissão quando a outra pessoa consegue uma experiência positiva do momento de vida em questão. A doula é uma dessas profissões!

Fonte: Livro Guia da Doula Parto, Adriana Tanese Nogueira (organizadora). 1ª edição, São Paulo – 2010.

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