Nós sempre falamos que o peito não é estoque, é fábrica, mas você sabe como essa fábrica funciona? Digamos que ela começa a ser construída ainda na gestação sob o comando dos hormônios estrógeno e progesterona – produzidos pela placenta – que fazem as mamas aumentarem de tamanho, ficarem mais sensíveis e com os vasos sanguíneos dilatados. Tudo pronto para a produção real que inicia com a saída da placenta depois do parto que faz com que outros dois hormônios entrem em ação: a prolactina e a ocitocina. Com elas trabalhando na produção há um estímulo das células que transformam o sangue em leite materno num processo que está explicado no nosso infográfico.


“Esse processo lembra o de uma fábrica, que trabalha por demanda: quanto mais o bebê mama, mais leite a mãe produz”, (Marcus Renato de Carvalho – pediatra), da Clínica Interdisciplinar de Apoio à Amamentação do Rio de Janeiro. E olha que interessante: mesmo mães adotivas podem colocar essa fábrica para funcionar! Com o apoio correto de um profissional competente, a ação dos hormônios pode ser ativada. “O leite também é produzido na cabeça da mulher” (Marcus Renato). O produto dessa fábrica é uma refeição nota 10, rica em gordura, sais minerais, vitaminas e substâncias essenciais que protegem contra doenças. Esse leite é tão completo que, nos primeiros meses de vida, o bebê não precisa ingerir mais nada – nem mesmo água! E não há nenhum leite artificial ou alimento que se compare ao leite materno!

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Glândula no cérebro comanda produção da “fábrica” localizada nos seios

  1. É durante a gravidez que as mamas da mulher começam a ser preparadas para a amamentação, mas a produção do leite, em geral, só se inicia após o parto. Quando a criança nasce, a hipófise anterior – glândula localizada na base inferior do cérebro – libera grandes quantidades do hormônio prolactina
  2. O hormônio prolactina cai então na corrente sanguínea e percorre o corpo todo, mas só age nos alvéolos mamários, que são células do interior dos seios que se parecem pequenos cachos de uva. Essas células já nascem programadas para produzir leite assim que receberem um comando do organismo, sendo que este comando é a chegada da prolactina
  3. O leite produzido nos alvéolos segue pelo interior do seio pelos ductos lactíferos que é uma uma rede de canais. Eles terminam em pequenos reservatórios chamados lóbulos, que ficam bem abaixo das aréolas dos seios.
  4. A partir dos lóbulos, o leite flui para a boca do bebê por pequenos “furos”chamados poros mamilares, espalhados ao redor do bico do seio por onde o leite escorre
  5. Apenas a sucção da criança não é suficiente para extrair todo o leite. Porém, após alguns minutos, o esforço do bebê em sugar o mamilo estimula as terminações nervosas no seio que se ramificam até o cérebro que ativam outra região daquela mesma glândula hipófise do passo 1, a hipófise posterior
  6. Desta vez, a hipófise produz outro hormônio, a ocitocina, que também cai na corrente sanguínea e chega aos seios. A ocitocina provoca contrações nos músculos mamários que “espremem” os alvéolos e os lóbulos. Isso ajuda a empurrar o leite para o bico do seio, fazendo ele fluir em quantidade suficiente para alimentar a criança